Não fosse a delícia de cidade que é, Granada valeria qualquer sacrifício só para visitar o Alhambra. Até mesmo dirigir por horas seguidas na maior TPM e, ao aportar na cidade, ter que deixar o carro num estacionamento público e tomar um táxi para chegar ao hostal, que está logo ali mas nem o taxista consegue encontrar no emaranhado de ruelas!
Faltava menos de uma semana para a viagem quando me lembrei de comprar os ingressos para o Alhambra. Resultado: conseguimos as últimas quatro entradas disponíveis para o último horário de visitas no único dia em toda a Semana Santa para o qual ainda havia ingressos: 22h30 de sábado!
Quatro, sim, porque a esta altura Felipe já estava incorporado ao grupo, vindo de ônibus de Madri, e seguiria comigo, Seu Atílio e Dona Nô até a última parada.
Eram 21h15 quando descemos, os quatro, do ônibus que nos levou do casco antiguo de Granada até a colina de La Sabika, depois de rodopiar pelas ruelas do Albaicin e descer as ladeiras do Sacromonte. Meu nariz indicava uma temperatura média de 10 graus Celsius, com viés de baixa.
Tentamos dar o golpe do distraído, entrando na fila das 21h30, mas não teve jeito: a mocinha nos mandou visitar o Palácio de Carlos V e voltar em uma hora. Obedecemos.
O Palácio de Carlos V, do lado de fora, não tem nada em comum com o Alhambra, nem poderia. Rei de Espanha e Imperador Romano-Germânico no início do século 16, Carlos V chegou ali muito depois de já terem sido expulsos os muçulmanos que ergueram o Alhambra entre os séculos 13 e 14, no final da dinastia Násrida.
A cidade murada feita de tijolos vermelhos e magníficos arabescos talhados em gesso e madeira foi o último refúgio dos muçulmanos na reconquista dos cristãos empreendida pelos reinos de Castilha e Aragón. Ali foi fincada a bandeira católica em 2 de janeiro de 1492.
Expulsos os mouros, não faltaram tentativas de destruir aquela maravilha, algumas delas bem sucedidas. Quis o destino, porém, que alguns explosivos falhassem, deixando aos sortudos turistas do futuro uma herança mantida por restauradores de primeira linha.
Caminhar pelos jardins do Alhambra, cruzar seus portais, tocar seus relevos, banhar-se na luz liberta de seus espaços, espelhar-se em suas águas, deleitar-se em seus detalhes é uma overdose de prazer estético que vale cada milésimo de segundo empenhado em chegar até lá.
Ainda que seja quase meia-noite de um sábado invernal, seu nariz e seus dedos estejam congelando e o guardinha tentando mandar os visitantes embora para fechar os portões, não há como não sair flutuando do Alhambra. Tão leve, mas tão leve que você pode levar alguns minutos até perceber que os ônibus se foram, a rua está deserta e a chance de passar um táxi é de uma em nove mil.
Mais fotos do Alhambra aqui e aqui.
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Belas fotos…! Cada vez melhor…
que momentos especiais, inesquecíveis mesmo , vivemos na Andaluzia, heim? Talvez eu não veja , mas desejo de coração que meus descendentes tenham oportunidades multiplicadas de viver isto e ampliar sua visão de mundo, de beleza, de história e de gente.Abraço, querida.
Para além do texto, já lhe disse, a mão certeira dos flashes.
Maravilha!
Beijocas!
Eu também gostei muito de visitar esse lugar!
Delícia, obrigada pela “carona”!