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Archive for the ‘Fotografia’ Category

Para renovar o estoque de carinho do filhote e da nora... (por Pedro Rossi)

... fomos tomar umas cañas no café dos argentinos... (por Feder, o camarero)

Tristeza é ver o filho amado partir para muy lejos... (por mim)

Na verdade, as despedidas começaram antes, no niver do Chiquinho... (por mim)

Con mi grande compañero, el guapísimo Pedro Rossi... (por Ines Copf)

Ines, Pedro e Ceci, na casa onde tudo começou... e terminou (por mim)

Com minha querida família barcelonesa, a Padovani-Amaral: Tomás, Angélica e João... só faltou o Chiquinho... (por Ines Copf)

Con las chicas más fuefas do mundo mundial, Patu e Michelly... (por Ines Copf)

A Grande Família posa para o porta-retrato... (por Ines Copf)

Aqui com Ines, a bósnia-grega mais encantadora do pedaço... (por Pedro Rossi)

No derradeiro passeio, os vitrais da igreja Santa Maria del Mar...

... onde agradeci muitíssimo à Virgem de Montserrat por tudo o que a Catalunha me deu nesses 14 meses... (por mim)

E o ponto final, a Plaza Cataluña, onde Barcelona é muito mais Barcelona... (por mim)

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Fotos Anamaria Rossi

Semana passada fui visitar duas bodegas de Cava, o vinho espumoso com DOC (Denominação de Origem Controlada) da Cataluña. O Cava está para a Espanha como o Champagne para a França. Não são iguais, embora sejam ambos vinhos espumosos. Provêm de uvas distintas e passam por processos e etapas de produção bem diferentes. Para um neófito, podem parecer a mesma coisa, mas um bom conhecedor sabe a diferença – como também sabe que são diferentes o excelente espumante brasileiro e o famoso Prosecco italiano.

A generosíssima Patu já havia me levado a Sant Sadurní D’Anoia para conhecer o Instituto do Cava, que entre outras coisas trabalha duro para criar mercado para o seu produto no Brasil.  Sant Sadurní é a Capital do Cava. Fica no meio das montanhas do Alt Penedés, cercada de vinhedos por todos os lados, e cheia de cuevas, as cavas, nos subterrâneos. Ali se produz 90% de todo o Cava espanhol.

Ainda me faltava conhecer as bodegas e ver, ao vivo, como é feito este vinho que se tornou minha mais nova e perene paixão. A idéia era ter voltado a Sant Sadurní a tempo de contar essa história numa Carta de Barcelona, mas não deu. Uma pena. Porque é uma verdadeira Viagem ao Centro da Terra!

O Instituto do Cava, sabedor do meu interesse inclusive como provável futura compradora no Brasil, agendou visitas a duas bodegas já devidamente representadas e distribuídas em terras brasileiras, Freixenet e Gramona. Recepção de luxo e altamente profissional em ambas, com direito a degustação no final!

O Grupo Freixenet é o maior produtor de Cava do Mundo Mundial, a milhas e milhas de distância dos demais, e seus diversos rótulos chegam a todas as partes do mundo. É provavelmente o Cava mais conhecido no Brasil, e o mais consumido.

A visita compreende a cava antiga, onde ainda se produzem umas poucas variedades de Cava de forma artesanal, e a nova e gigantesca área de produção, totalmente automatizada, dotada de laboratório para o cultivo de leveduras patenteadas e tanques de fermentação que me fizeram lembrar dos tempos da Petrobras.

Como qualquer produto designado ao grande mercado consumidor, os Cavas Freixenet tem como marca registrada a constância. Você pode abrir uma garrafa de Cordon Negro, Cordon Rosado ou Carta Nevada em qualquer parte do mundo e sentirá o mesmo sabor. Este é o objetivo e ao mesmo tempo um importante fator de êxito da empresa. Para quem pede mais, o grupo oferece alguns rótulos de maior delicadeza e menor escala, como o Reserva Real, que infelizmente só está no mercado espanhol.

Bem diversa é a filosofia da Gramona, produtora dos chamados Cavas de alta gama. Embora o processo de produção seja moderno e bastante automatizado, alguns rótulos recebem cuidados tão especiais que chegam a ter as garrafas embaladas manualmente em celofane para chegarem intactas ao destino.

Boa parcela dos Cavas Gramona ainda são produzidos na cava antiga, quatro andares dentro da terra que sustenta o edifício administrativo no centro de Sant Sadurní. Pode-se dizer que, embora não seja exatamente uma produção em pequena escala, o processo mantido por esta bodega ainda é, em certa medida, artesanal.

Descer as escadas úmidas e penetrar nas cuevas escuras e centenárias é uma experiência indescritível! Fotografar é quase impossível. Os vinhos, ali, repousam de quatro a cinco anos na mais absoluta escuridão – tempo que a levedura leva para forjar sabores igualmente indescritíveis, e as garrafas são cobertas pela poeira fina da maturação.

Até os anos 80, a Gramona manteve uma unidade de produção no Brasil, mais precisamente em Jundiaí, e chegava às gôndolas sob o rótulo Gramond. Hoje a produção é exclusivamente catalã. Allegro, Imperial e III Lustros são três dos rótulos atualmente distribuídos no Brasil. Todos di-vi-nos!

Ai, acho que eu vou ter que montar um café só para poder colocar essas delícias no cardápio…

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Fotos Anamaria Rossi

No início do verão resolvi fazer uma visita ao Monastério de Montserrat, a padroeira da Catalunha. Uma visita meio turística, meio mística, e com uma boa dose de trilheira, para matar a saudade das caminhadas pela Chapada dos Veadeiros.

Diz a lenda que no ano 880 foi encontrada lá, num local hoje conhecido como Santa Cueva, a imagem da Virgem de Montserrat. Anos depois, em 1025, ergueu-se o Monastério naquela espetacular fenda do maciço que se levanta a mais de 700 metros à direita do rio Llobregat.

Saí de trem de Barcelona numa manhã de sol, seguindo até a base do maciço, e lá tomei a cremallera que serpenteia ao redor das montanhas e nos leva até quase o topo.

Adivinhem qual foi a primeira coisa que fiz ao chegar lá em cima? Localizei uma trilha fantástica, no meio da mata que cobre a lateral de uma montanha!

Pelo caminho, me detive nos pequenos altares construídos ao longo da trilha por comunidades dos mais diversos pueblos em homenagem a suas santas padroeiras.

E não pude evitar o deslumbramento da paisagem que se descortina do lado oposto – o vale do Llobregat logo ali, a um pulinho, 750 metros abaixo de meus pés.

O silêncio foi meu companheiro durante toda a caminhada – os turistas se aglomeravam em outros pontos do que hoje é um grande e bem cuidado complexo turístico.

A tranquilidade aguçou meu olhar para as delicadezas do caminho – como essa lindeza da foto abaixo, que eu desconfio seja uma groselha, ou uma parente muito próxima. Na dúvida, preferi não provar…

Com a ajuda de um funicular e uma bela caminhada ladeira acima, cheguei ao topo de uma montanha ainda mais alta, a mil metros do nível do mar.

No final da trilha, entendi o que é solidão de verdade: a Ermida de San Juan, isolada, quase inatingível, confunde-se com uma paisagem pedregosa e remota, de onde se avista, muy lejos, quase toda a Cataluña.

A essa altura o domingo já estava no fim e ainda faltava visitar a Basílica…

Confesso que igrejas não são o meu forte em passeios turísticos, mas estava fora de cogitação não pedir a bênção à Virgem de Montserrat. Então, lá fui eu para a fila.

La Moreneta, como é popularmente conhecida, é uma bela madona negra, talhada no século XII à imagem e semelhança da lendária Virgem da Santa Cueva, e reverenciada por fiéis de vários países. Na mão direita ela sustenta o Mundo, e com a esquerda acaricia o Menino Jesus – que por sua vez abençoa os fiéis com a direita e, com a esquerda, segura uma pinha, símbolo de fecundidade e vida perene.

Depois do encontro em pessoa com La Moreneta, se você quiser, pode fazer suas orações na belíssima capela que fica às costas dela.

E na saída pode comprar uma vela e oferecê-la num dos muitos nichos reservados para isso.

La Moreneta integra o repertório religioso de diversas comunidades hispanoamericanas, graças a um antigo ermitão de Montserrat, Bernat Boil, que acompanhou Cristóvão Colombo na segunda viagem às Américas, em 1493, e foi nomeado o primeiro vigário das Índias Ocidentais, espalhando pelo Novo Mundo o culto à Virgem negra.

Mas a história do Monastério vai muito além da devoção religiosa. Nos séculos XVII e XVIII, tornou-se um importante centro cultural, referência na formação de músicos. Logo depois, em 1811, foi destruído pelas tropas de Napoleão.

Reconstruído, foi vítima da Guerra Civil Espanhola, entre 1936 e 1939, quando 23 monges morreram e os restantes tiveram que abandonar o Monastério. Salvou-se de nova destruição graças à proteção do Governo Autônomo da Cataluña.

Nos anos 70 do século passado, foi reduto de resistência à ditadura franquista: 300 intelectuais encerrados no Monastério reclamaram ao General Franco respeito aos Direitos Humanos.

Sobreviveu ainda a dois grandes incêndios que destruíram boa parte da floresta ao seu redor, em 1986 e 1994. Mas a natureza concedeu a Montserrat a dádiva da regeneração, o que eu pude conferir em detalhes na descida de teleférico sobre o vale do Llobregat.

Um domingo tão mágico e revigorante, física e espiritualmente, que nem reclamei do cansaço – e muito menos de ter que jogar fora as alpargatas, que voltaram imprestáveis.

Montserrat é, com certeza, um dos lugares mais encantadores da encantadora Cataluña. Saí de lá com a certeza de que voltarei. Um dia.

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Fotos Anamaria Rossi

Se eu tivesse que dizer em uma palavra como ficou marcada em minha retina a breve passagem por Cadaqués, esta palavra seria LUZ. Desde a brancura das casas ao brilho do sol nas águas do fim da tarde, tudo na cidade onde Salvador Dali viveu (e dizem que ali também enlouqueceu) irradia luminosidade.

Cadaqués é um pueblo pesqueiro quase no fim da Costa Brava, hoje transformado em destino de turistas descolados, que abriga lojinhas e ateliês charmosíssimos, em total sintonia com as ruas estreitas de pedra sobre pedra.

Atração à parte em nossa passagem foi o Fusca descapotable (adoro esta palavra!) preparado para receber os noivos que saíam da igrejinha em frente, lá no alto de uma montanha de pedra.

Mas a grande atração da cidade é a Casa de Dali, transformada em museu, em Portlligat, a poucos quilômetros do centro, “assinada” com os inconfundíveis huevos do artista sobre o telhado.

Chegamos sem tempo hábil para visitar o museu, mas isso não nos impediu de curtir a bela paisagem do fim da tarde.

Mais cedo, poderíamos ter dado uma volta no barco Gala, o amarelo aí de cima, mas nos contentamos em apreciar em terra firme a arquitetura das casas da região, especializada em disfarçar as construções nos paredões de pedra.

Antes de o sol se esconder de todo, subimos a serra cruzando os olivais em direção a Figueres, esta sim a cidade de Dali, onde ele nasceu e para onde voltou com pompa e circunstância.

Escolheu nada menos que um antigo e suntuoso teatro para instalar seu museu (no qual também não entramos desta vez), e instalou no alto das torres uma impressionante coleção de ovos.

Dizem que os relevos que decoram as paredes externas do museu são simpáticos cocozinhos dalinianos. Não consegui checar a informação, mas – por si acaso – Tomás não perdeu a chance de fazer uma palhaçada.

E aqui termina a temporada de verão, com um vento fresco já anunciando que o outono vem aí e me lembrando de que está chegando a hora de voltar ao meu querido Patropi.

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Fotos Anamaria Rossi

Desta vez não tive como escapar de Portbou. Estava bem ali, a 15 minutos de carro de Llançà, na fronteira com a França, e Tomás queria ir àquela praia que tem uma plataforma flutuante bem no meio da água.

Pedro já tinha me avisado que eu ia adorar. E adorei! A começar pelo caminho, uma descoberta a cada curva, um novo horizonte em cada mirante.

Fiquei tão passada que desandei a fotografar e filmar, e quase esqueci que eu só tinha levado a nova Cyber-shot fúcsia (!), com UM cartão e UMA bateria (a Nikon de responsa está temporariamente aposentada, até eu voltar ao Brasil e submeter sua lente a uma bela faxina).

Foto Angélica Padovani

Mas com a Cyber-shot, como sempre, a gente faz qualquer negócio – e nada mais apropriado a uma turnê “mochilinha” que uma “câmerazinha”, não é mesmo?

Depois de uma praiazinha de água gelada, fomos buscar um de-comer ali na Rambla de Cataluña. Foi lá que uma senhorinha muito simpática, ao me ver fotografando, disse:

– É muito bonito, não acha? Você precisa ver no outono. Ano passado teve um vento tão forte que todas as folhas caíram, e o chão ficou coberto por um lindo tapete esverdeado. Eu, que vivo aqui há 73 anos, nunca tinha visto nada igual!

Achamos o de-comer e o de-beber, uma sangria sanguínea, refrescante e deliciosa. Fiquei com pena do Tomás, que teve que se contentar com uma Fanta Laranja…

Na noite anterior, tínhamos visitado Portbou rapidamente, e fomos surpreendidos por gigantescos grafites com figuras femininas espalhados pela cidade. Não consegui saber a que se devem, mas achei o máximo!

Aliás, o máximo é a cidade inteira, desde a vista lá de cima até a estação de trem, sem esquecer, é claro, do azul profundo do céu em noite de poucas luzes.

Pedro tinha razão: Portbou é imperdível!  Ainda bem que deu tempo.

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Chiquinho, Tomás e Angélica em frente ao castelo (por Anamaria Rossi)

A previsão do tempo indicava uma quinta-feira chuvosa em Llançà, então cedemos – sem nenhum sacrifício – ao desejo da Angélica de ir à França. Duas horas de carro e estávamos em Carcassonne, uma cidade medieval totalmente preservada, com muralha e tudo, e lá dentro um castelo com direito a fosso de crocodilos.

A cidade medieval foi transformada num shopping center a céu aberto: não se paga para entrar, mas a quantidade de tentações para deixar ali o saldo do cartão de crédito é incrível!

Fotos Anamaria Rossi

É assim em vários lugares de valor histórico por onde passei nessas andanças: os recursos para a preservação do sítio são obtidos por meio do comércio de seus espaços, de forma ordenada e consciente.

Não me agrada especialmente, mas entre um shopping medieval e não poder visitar Carcassonne, eu saco meu Mastercard.

Cada vez mais sinto que o velho e o novo estão condenados a viver lado a lado, como aquele ponto de intersecção entre as estações, o verão terminando, o outono começando…

E, no fim de cada estrada, longa ou curta, descubro no passado que o futuro está logo ali, é só abrir os olhos e estender a mão.

Foto Chiquinho Amaral

Pues que venga!

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Fotos Anamaria Rossi

Mochileiro é assim: não desiste nunca!

Teca se foi – mas Angélica, Chiquinho e Tomás estavam me esperando na Costa Brava, o magnífico trecho de litoral entre Barcelona e o sul da França. E lá fui eu. De trem, com uma mochilinha nas costas e uma mala de rodinhas, claro.

A primeira coisa que Angélica me aprontou foi me fazer subir a montanha. Tá certo, era uma montanhazinha de nada, que eu só subi mancando por causa da lombalgia pós-Vespa. E valeu a pena!

Llançà é um antigo porto de pescadores dotado de uma infinidade de calas (pequenas enseadas no pé de altas pedreiras). Nas calas ou mesmo nas praias, areia é o que não há. Estende-se a esteira sobre pedriscos cor de chumbo e usa-se uma sapatilha com solado de borracha para entrar na água sem furar os pés.

Mas o que falta em areia sobra em lindeza de recortes, com água cristalina em vários tons de azul. E se os pedriscos não são nada convidativos, a cidade e o porto recebem muito bem os forasteiros, com pracinhas e recantos para o desfrute amplo e geral.

Echar una siesta deitada no banco da praça ou instalado na jangada-escultura, como fez Tomás, é tão natural quanto sair pela praia de calçola florida ou maiô listrado.

Mas o melhor de tudo é caminhar no fim da tarde pelo porto de Llançà, vendo chegar os barcos de pesca e apreciando os casais maduros que saem para passear em pequenas embarcações familiares.

Se eu vivesse em Llançà, minha casa seria um barco.

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