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Archive for the ‘Música’ Category

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Casa

Lulu Santos

Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Era só fechar os olhos
E deixar o corpo ir
No ritmo
Depois era um vício
Uma intoxicação
Me corroendo as veias
Me arrasando pelo chão
Mas sempre tinha
A cama pronta
E rango no fogão…

Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…

Às vezes é tormenta,
Fosse uma navegação.
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não

Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Tanto gozo e sussurro
Já impressos no colchão…

Pois sempre tem
A cama pronta
E rango no fogão, fogão!…

Luz acesa
Me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
E vê!

Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…

Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Logo mais era um vício
Me arrasando pelo chão…

Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão…

Pois sempre tem
A cama pronta
E rango no fogão
Fogão! Fogão!…

Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando prá casa
Me vê!
Que eu tô voltando prá casa…

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PS: O blog não termina aqui. Voltarei vez ou outra para contar um pouco das muitas histórias que ainda não contei de minha temporada em Barcelona.

Obrigada, de coração, a todos os que me acompanharam nesta incrível viagem.

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Eu esperava o metrô. Espirrei, ela disse “saúde”. Agradeci.

Entrei no metrô e me sentei diante de duas mulheres. Ela sentou-se ao meu lado.

As duas da frente falavam sem parar, principalmente a que estava sentada à minha frente. Morena, cheinha dessas bem feitas de corpo, bem socadinha. Cabelos negros e longos. Olhos indígenas. A outra tinha uma contradição entre os olhos puxados e a pele branquíssima, e falava menos. Estavam as duas visivelmente cansadas, e calculavam em voz alta qual o caminho mais curto para chegar em casa depois de um domingo cheio de trabalho.

A proximidade e a curiosidade não me deixavam tirar os olhos da dupla. A morena percebeu e começou a falar buscando com os olhos minha cumplicidade. Sorri. Ela era engraçada, animada, vibrante. A outra examinava um folheto da igreja e as duas começaram a debater sem muito ânimo a temática. Não tive tempo de saber do que se tratava: o metrô parou e as duas saíram correndo e rindo pela porta.

– Uma praga, isso, minha filha! – era a senhora ao meu lado, bufando.

– A senhora está falando de quê? Da igreja?

– Não, estou falando da gente. Dessa gente. Eles não são da Espanha, você sabe?

Virei o rosto para a janela, não estava disposta a arranjar encrenca no metrô. Mas ela insistiu.

– Uma praga que vem para a Espanha tomar os empregos dos espanhóis. Cobram barato, a hora mais barata de trabalho que existe! E aí, quem quer dar emprego para os da terra?

Senti as têmporas fervendo. Meu estômago começou a se revirar. Conferi no mostrador quantas estações ainda me restavam. Duas. Fechei os olhos e pedi aos santos para calarem a boca daquela mulher. Mas eles não me atenderam.

– Não sei por quanto tempo ainda vamos ter que suportar essa praga!

Respirei fundo. Examinei a mulher detidamente. Cabelos brancos, pele morena, uns 60 anos, nem rica nem pobre. Queria ter tido pena da ignorância dela, mas não – tive ódio!

– É assim no mundo inteiro, minha senhora. As pessoas vão de um país para o outro em busca de vida melhor. O mundo não tem mais fronteiras, ou não deveria ter, porque elas não fazem mais sentido.

Ela me olhou com cara de ponto de interrogação.

– A senhora veja só uma coisa: o meu país, mesmo, está cheio de espanhóis!

Ela franziu a testa e arregalou os olhos, sem tirá-los de mim.

– Espanhóis, italianos, africanos, portugueses… E eu posso garantir para a senhora: já viajei muito nesse mundo, e em todo lugar é assim. A senhora não sabe?

O rosto dela se avermelhou. Quis saber de onde eu era. Respondi com a boca mais cheia do mundo.

Ela ficou calada. Ainda bem. Porque minha estação estava chegando e eu não teria tempo de vomitar todos os impropérios que já estavam na ponta da língua caso ela soltasse mais alguma pérola xenófoba.

Sei não, mas acho que não contam nas escolas daqui o que os espanhóis fizeram – e tudo o que eles roubaram! – em suas colônias no Novo Mundo.

Mas nós sabemos. As índias que estavam à minha frente sabem. E nunca vão esquecer- nem elas, nem todas as gerações que virão. Talvez por isso a gente se sinta um pouco dono do Velho Mundo. Real ou não, a sua riqueza também é nossa. Nos pertence, porque nos foi roubada. Ainda que a nossa grande riqueza mesmo ninguém possa roubar: o Novo Mundo somos nós.

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Nunca é tarde para matar a Cinderela que nos habita.

Ainda que seja com o auxílio luxuoso de um vermut.


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Fotos Anamaria Rossi

Eu já disse que cruzei várias vezes a pequena Formentera numa Vespa? Pois é, nem eu acreditava muito nisso, e aí fiz um Vespa Movie para ver depois e ter certeza.

O problema de virar motoqueira quando a gente já passou da idade é que a ferrugem abunda. O resultado de três dias me equilibrando sobre duas rodas – às vezes com uma mão no guidão e outra na câmera – foi uma bela lombalgia. Que insiste em não ir embora!

Mas eu faria tudo de novo, juro! E agora, que estou metidinha pacas, nada de Vespa. Quero mesmo é uma bela Harley Davidson, com banquinho de encosto e lugar para o carona, que vai atrás fazendo massagem nos meus ombrinhos…

Com vocês, para fechar a série Mochilão, com imagens desequilibradas de Anamaria Rossi e edição sofisticada de Pedro Rossi, sobre música de Paco de Lucía…

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Ana e o Farol

(depois de Lucía y el sexo)

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Uma das maiores delícias de bater perna pelas grandes ou pequenas cidades do Velho Mundo é a música. Ela está por toda parte, inundando o ar e nossos corações de uma luminosa alegria.

Pode ser num castelo à beira do rio Escalda, na Antuérpia…

Fotos Anamaria Rossi

… ou numa praça em Amsterdam em pleno breakfast, depois de uma noite movida.

Numa ruazinha meio escura de Bruges…

… ou num iluminado canal da cidade de bonecas.

Não importa onde você esteja. Quando você menos espera, num túnel de metrô, sob um arco de ponte, numa esquina, num vão, ela te encontra. A Música. Incrustada nas pedras e nas almas, como a do solitário artista da Praça do Louvre.

Próxima parada: Ilha de Formentera

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“Como se chama a amante desse país sem nome,

esse tango, esse rancho, esse povo?

Dizei-me, arde o fogo de conhecê-la…”

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A quem interessar possa:

Este blog se autodestruirá em 65 dias – pouco mais, pouco menos – , quando volto para casa.

Até lá, ainda estou por aqui, meio capenga, entre um mochilão com a Teca (agosto) e uma maratona de provas de cozinha (setembro).

Muito obrigada a todos pelo carinho dos comentários na minha despedida do Blog do Noblat.

E não me abandonem, porfa!

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