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Archive for the ‘Amores’ Category

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Fotos Anamaria Rossi

Não sei bem como acontece. Chega um momento em que a gente sabe que é hora de voltar para casa. Não importa o que esteja acontecendo ao seu redor. Não importa tudo o que você poderia ter vivido e ainda não deu tempo de viver neste lugar que não é o seu. Se é festa lá fora, seu coração apertado de saudade te obriga a ficar colado na tela do computador em busca de sinais do seu mundo, aquele que é só seu.

Hoje acordei cinzenta como tem andado o céu por aqui. Mas meu coração morno explodiu em alegria quando comecei a assistir a transmissão ao vivo da abertura da Bovespa, comemorando o lançamento da maior operação de mercado do Mundo Mundial – a gigantesca oferta pública de ações da Petrobras do Pré-Sal.

Lá estava um pedaço enooooorme de mim! Do meu coração verde-amarelo, da minha história, dos meus sonhos e esperanças para o meu Brasil Brasileiro. Lá estavam algumas das pessoas mais queridas deste meu coração vagabundo. Amigos com os quais vivi e aprendi e sigo aprendendo muito da vida, da amizade, do amor em todas as suas formas. Lá estava eu, euzinha, inteira, ainda que sem corpo presente.

Nunca antes neste meu ano sabático tive tanta vontade de ter deixado esta viagem para depois. Eu queria estar lá! Sentir a alegria que sinto agora, mas junto com eles – a Mirian, o Alexandre, o Estrella, o  Duque, o Zé Eduardo, o Gabrielli. Morri de orgulho de todos eles, e de muitos mais que acreditam e trabalham duro e dão o melhor de si para que o Brasil seja cada vez mais o nosso Brasil Brasileiro.

Depois de um ano respirando a poeira do Velho Mundo, conversando com as pedras seculares das ruas e das paredes, me indignando com o que há de bolor e me contagiando com o frescor que insiste em renascer da velha História, só o que desejo agora é voltar para casa. Para a minha doce Terra Brasilis. Lá onde bate meu coração a mil badaladas por segundo, onde tudo está por ser feito, criado, inventado e reinventado por nós. Onde a gente é a minha gente.

Bueno, enquanto o dia não chega… vou ali aproveitar um pouquinho da Fiesta de la Mercè, a grande festa anual dos barceloneses. Porque, afinal, a vida é agora!

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Nunca é tarde para matar a Cinderela que nos habita.

Ainda que seja com o auxílio luxuoso de um vermut.


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Léo e Ivan, na Variant laranja, voltando das férias (Foto Dona Nô)

Quando ele nasceu, há exatos 39 anos, eu e Érica estávamos com sarampo e tivemos que esperar vários dias até poder chegar perto do nosso primeiro irmãozinho. Ainda bem que não foi o contrário: ninguém conseguiria conter a inquietude do rapazinho se ele é que fosse proibido de entrar no quarto de uma nova irmãzinha.

Léo é pura energia! Quase sempre uma energia explosiva, afirmativa, contagiante. Vez ou outra, um vulcão aparentemente adormecido mas prestes a transbordar. E quando transborda, é melhor manter uma distância segura.

Fotos Anamaria Rossi

Mas na família formada por Seu Atílio e Dona Nô, ninguém é de manter distâncias seguras. Quanto maior a confusão, mais a gente chega perto. Talvez por isso sejamos tão cúmplices uns dos outros, os quatro irmãos, mesmo tão distintos.

Léo foi o primeiro a revelar suas diferenças, ainda na adolescência. Enquanto os outros três se encaminhavam para a universidade, ele pegou no batente com Seu Atílio lá na firma. Enquanto as duas irmãs mais velhas brincavam de hippies tardias, Léo vivia seu momento playboy, que felizmente não durou muito. Foi o último a sair de casa, e o único a permanecer em nossa Ribeirão natal.

Mas quem só enxerga aparências não tem a mínima idéia de quem é o Léo. Enraizado, sim, mas capaz de empreender grandes revoluções, gestadas na intimidade, no silêncio e na solidão do vulcão adormecido. Lentamente, consistentemente, e sem que ninguém perceba – talvez nem ele. Pelo menos até o momento da explosão.

Sob uma aparente rigidez, ele esconde furacões que, de repente, varrem tudo o que ele pensava ser, para que ele descubra e revele, mais uma vez, tudo o que ele é.

No colo do Seu Atílio, enquanto Vô Olavo pesca (Álbum de Família)

A imagem mais arraigada que tenho dele é de um Léo ainda moleque, três ou quatro anos. Estávamos no clube, à beira do rio Pardo, sentados nas bordas de uma prancha de madeira fincada no barranco. Na ponta, Vô Olavo pescava, chapéu de palha, a netaiada em volta.

Léo estava sentadinho ao meu lado, os dois com os pezinhos balançando rentes à água que corria sob a prancha. De repente, vi seu rostinho desaparecendo na água como uma fotografia que se desmancha, e ouvi o grito de minha mãe atrás de mim: “Meu filho! Meu filho caiu no rio!!!”

Dando banho na Júlia, com Rafa na espreita (Foto Ana Rossi)

De outra prancha, a poucos metros da nossa, um homem saltou imediatamente e veio subindo na contramão da corrente, tateando as águas barrentas. Foram poucos segundos, e uma eternidade, até ele emergir com um menininho loiro, assustado e quieto nos braços.

Alguns minutos depois, minha mãe, com o filho no colo e já acalmada por dois copos de água com açúcar, perguntou ao salvador como ele tinha conseguido aquele milagre. Ele disse que apenas tinha percorrido as águas turvas num mergulho até chegar à nossa prancha e lá estava o Léo, debaixo do madeirame, agarrado com toda força às estacas, com a cabecinha fora d’água e os olhões arregalados como dois faróis.

Brincando comigo no tanque de areia de casa (Álbum de Família)

Suas grandes batalhas, Léo enfrenta assim, quietinho, lá no fundo, com o nariz fora d’água e os olhos bem abertos. E depois emerge, lindo, loiro e já esquecido da escuridão. Pronto para começar de novo a aventura da vida – ainda que seja preciso segurar bem firme as estacas.

A última do Léo ainda hoje me surpreende. Durante uns bons anos, recentemente, tivemos brigas homéricas, regadas a boas doses de cerveja, nos encontros de família. Com a sinceridade cortante que é marca registrada dos Rossi. Meses de silêncios, tristezas e feridas abertas entre uma e outra. Cheguei a acreditar que havíamos nos desencontrado de verdade na vida.

Com sua amada Rose, no aniversário de Felipe, em Brasília (Foto Anamaria Rossi)

Até que, um dia, recebo um telefonema do Léo. Sem mais nem menos, apenas porque – se não me falha a memória – ele tinha acabado de conversar por telefone com Felipe, seu afilhado, a essa altura já morando na Espanha.

Sabe-se lá que revolução estava sendo gestada ali no vulcão interno do Léo, mas algum detalhe na conversa com Felipe desatou a emoção no coração do meu irmão. Então, sem titubear, ele pegou o telefone, ligou para mim em Brasília e fez a mais linda declaração de amor que já recebi em toda a minha vida.

Nem preciso dizer que fiquei muda. Estupefata. E tão profundamente feliz com a carinhosa explosão que nunca sequer consegui retribuir à altura. Com a lava fervente de seu coração, Léo construiu uma nova ponte entre nós, e só me restou vencer o medo e caminhar sobre ela.

Foto Anamaria Rossi

Léo é assim. Fera regida pelo Sol. O triunfo da natureza sobre a construção. Tanto mais forte quanto mais coração.

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(clique na imagem para ampliá-la)

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… e quem não tem medo de amar!

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Uma webcam de lá, outra de cá.

Uma filha saudosa de cá, uma família italiana de lá.

Um domingão de cenário – e o bendito skype no meio.

Precisa mais?

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