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Archive for the ‘Lar doce lar’ Category

Para renovar o estoque de carinho do filhote e da nora... (por Pedro Rossi)

... fomos tomar umas cañas no café dos argentinos... (por Feder, o camarero)

Tristeza é ver o filho amado partir para muy lejos... (por mim)

Na verdade, as despedidas começaram antes, no niver do Chiquinho... (por mim)

Con mi grande compañero, el guapísimo Pedro Rossi... (por Ines Copf)

Ines, Pedro e Ceci, na casa onde tudo começou... e terminou (por mim)

Com minha querida família barcelonesa, a Padovani-Amaral: Tomás, Angélica e João... só faltou o Chiquinho... (por Ines Copf)

Con las chicas más fuefas do mundo mundial, Patu e Michelly... (por Ines Copf)

A Grande Família posa para o porta-retrato... (por Ines Copf)

Aqui com Ines, a bósnia-grega mais encantadora do pedaço... (por Pedro Rossi)

No derradeiro passeio, os vitrais da igreja Santa Maria del Mar...

... onde agradeci muitíssimo à Virgem de Montserrat por tudo o que a Catalunha me deu nesses 14 meses... (por mim)

E o ponto final, a Plaza Cataluña, onde Barcelona é muito mais Barcelona... (por mim)

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Seu Atílio em Sevilha, antes de eu nascer (Álbum de Família)

Eu tinha 17 anos e só pensava em estudar na USP. Mais precisamente na ECA. Como toda menina “prafrentex” do interior paulista, a estrada da vida tinha um único destino, a capital – e a capital era São Paulo.

Mas o vestibular da Fuvest não me ajudou, e um dia aceitei a oferta da Solange: acompanhá-la até Brasília, aquela longuínqua (outra) capital, para prestar UnB. Era julho de 1985, eu não tinha nada mais interessante para fazer depois que terminou o Congresso da UBES em Belo Horizonte, e fui.

Por azar da Solange, e meu, ela não passou no vestibular – e eu passei. Essa mudança de roteiro não cabia nos meus sonhos de interiorana. Fiquei mortificada com a idéia de ir sozinha para um lugar tão árido e que até então não existia no meu mapa. Decidi que não iria.

Foi ele quem me convenceu a ir. Seu Atílio, meu pai, aquele que, fosse outro, teria preferido ter a filha sempre por perto, no ninho familiar. Ele me disse: “Vai sim, filha, quatro anos passam depressa, vai ser bom pra você.” Ligou para um amigo que tinha uma filha morando em Brasília e foi comigo até lá fazer a matrícula na UnB.

Seu Atílio passeando com as filhas (Foto Norien Rossi)

Desconfio que ele sabia que eu não voltaria. Porque ele conhece os caminhos da vida e sabe que algumas idas são definitivas. Mas ele sabia também que eu não cabia mais no ninho, na cidade, na Ana que eu era. E fez o que sempre faz: escolheu o que sabia que seria melhor para mim.

Sempre que olho para a menina que eu era aos 17 anos e para a que sou hoje, 25 anos depois, sinto um imenso orgulho do meu pai: foi ele quem abriu para mim a porta do mundo. E me ensinou a não ter medo da vida.

Nas noites lá de Ribeirão, quando ele cuidava de mim e da Érica para que minha mãe pudesse ir à faculdade, ninava as meninas tocando Tchaikovsky na vitrola de pé palito. Anos mais tarde, quando a TV chegou em casa, aos domingos acordávamos com a genuína caipirice de Rolando Boldrin no Som Brasil.

Com sua amada Nô, pronto para pegar a estrada (Álbum de Família)

No vocabulário lá de casa, preconceito foi desde cedo substituído por pluralidade. Seu Atílio e Dona Nô eram os pais dos sonhos de algumas de minhas colegas de escola. Eram “os liberais”. Os que educavam com seu exemplo de vida e com liberdade, não com discursos e proibições inúteis.

Graças ao Seu Atílio, crescemos com o pé na estrada. Nas férias de verão, por mais que a grana fosse curta, uma semaninha na praia era garantida. Saíamos no meio da madrugada, os quatro filhos deitadinhos no banco traseiro da Variant laranja (devidamente rebaixado), rumo a um novo ponto do mapa. Meu pai ao volante, minha mãe com a garrafa térmica cheia de leite quentinho e um tuperware com sanduíches para quando a gente acordasse. Voltávamos com o nariz descascado, muita picada de borrachudo, lembranças para toda a vida e uma bela coleção de fotos!

Com os quatro filhos, em foto de Dona Nô

O espírito livre de Seu Atílio talvez tenha sido forjado na infância, época da qual ele não costuma falar, de muita dureza, perdas gigantes e maturidade antecipada. Fosse outro, o moleque Atílio poderia ter sucumbido – mas este não seria meu pai.

Meu pai, Seu Atílio, não é homem de sucumbir. O monstro pode ser imenso, a perda pode ser irreparável. Ele pára, fecha o semblante, se recolhe em profundo silêncio e fica ali matutando até encontrar a saída.

E não pode ser uma saída qualquer. Tem que ser um caminho que o leve de volta – e a todos nós – ao centro da alegria da vida. Ele nunca me disse, mas eu sei: para ele, a vida só é vida quando tem alegria, e uma alegria compartilhada com o máximo de pessoas, se possível com o mundo todo!

Em Sevilha, anos 60, com a turma esquerdista da igreja (Álbum de Família)

Por essas e outras, Seu Atílio fez e faz política desde menino – na igreja, no partido, nas ONGs. Mas política com P maiúsculo, aquela em que os líderes de fato trabalham pelo bem comum, ainda que abrindo mão do próprio conforto.

Cada vez que ele dizia que seria de novo candidato para alavancar o PT dos bons tempos, minha mãe já fazia mentalmente as contas do aperto financeiro nos meses seguintes. Mas era tanto o entusiasmo do Seu Atílio que contagiava a todos, e reuníamos um bando de amigos para distribuir panfletos de porta em porta nas noites quentes de Ribeirão. E Dona Nô preparava café, suco e sanduíches para a tropa de voluntários.

Decepções não faltaram no caminho dele, e grandes – com a igreja, com o partido, com os governos aos quais ele emprestou sua chama de vida. Mas Seu Atílio nunca desistiu. Ali, em seu silêncio meditativo, permeado por conversas com Dona Nô, ele sempre encontrou um caminho no meio do caos por onde seguir guiado unicamente por seus ideais.

Lua de mel no litoral paulista (Álbum de Família)

Eu poderia escrever até amanhã sobre meu pai, mas só vou dizer uma coisinha mais. Ele talvez nem saiba que tem um Sol gigante no meio do peito, mas tem. E este coração de fogo é um farol que guia a todos nós, filhos, netos, amigos e agregados, quando bate a escuridão.

Por isso, para mim, o Dia dos Pais não é o segundo domingo de agosto. O Dia dos Pais é 17 de agosto, dia do aniversário do meu pai. Com P maiúsculo.

Com a primogênita, na Plaza de Toros de Ronda, em foto do neto Felipe

Um beijo, Seu Atílio, com todo o amor, da sua primogênita preferida.

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MOMENTO BORN *

Você acorda com um barulho esquisito, abre a janela e vê um guindaste

Fotos Anamaria Rossi

… pronto para subir uma geladeira!

Ela passa tirando tinta do seu nariz…

… estaciona no andar de cima…

… e você entende porque diabos veio se meter numa cidade medieval.

Há coisas na vida que nenhum mastercard  pode comprar.

Né Tequinha?

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* Oferecimento Doñanatur

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Fotos Atílio Rossi

Se a Tia Rê tivesse me ensinado só a fazer pamonha já seria muito! Mas aprendi tanto com essa guerreira que nem sei contar.

Aprendi a coragem de recomeçar, daqueles que são pura força onde outros só vêem fragilidade.

Aprendi generosidade, solidariedade, doação.

Aprendi a não parar de aprender nunca. E a crer sempre.

Aprendi um jeito de amar que é todo cuidado com o outro.

Aprendi a sair por aí de havaianas sem deixar de ser una Re(g)ina.

Se eu pudesse dizer numa palavra o que a Tia Rê me ensinou nesta vida, esta palavra seria simplicidade. A simplicidade de ser.

Não tenho palavras, Tia Rê, para agradecer tudo o que aprendi e aprendo com você.

Se minha gratidão pode caber num abraço, aí vai o maior do mundo. Com todo o meu amor.

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Fotos Anamaria Rossi

Sui gêneris o duelo de ruídos que vi e ouvi pela janela esta manhã. Por um detalhe que revela o quão distantes estão esses dois mundos que coabitam espaço e tempo nas ruas de Barcelona.

As lojas ainda estavam fechadas quando os homens de camiseta azul marinho iniciaram seu concerto à base de serras, metais, martelos e faíscas. Eu tinha acabado de abrir a casa – e confesso que àquela altura da manhã nenhuma imagem da rua havia me chamado a atenção, nem mesmo o arsenal dos serralheiros prontos para atacar a porta de ferro do restaurante em frente.

Meio sonolenta, fui surpreendida pela orquestra de metais enquanto passava o café. Tentei fechar as portas do balcão, mas o calor impregnante do verão me disse um “não” taxativo. Resisti. Esquentei na torradeira duas fatias de pão e creditei tudo o mais aos mistérios de um dia que apenas começa.

Mais uns minutos e os operários desligam as máquinas, pausa para o café. Um breve recorte de tempo em que tudo volta à normalidade – o quase deserto auditivo das manhãs que ainda não engrenaram de todo.

Reconheço a algazarra matinal dos passarinhos da vizinhança. Um ou outro carrinho de compras riscando o chão de pedras com as rodas enferrujadas. Uma criança de férias gritando em algum piso próximo. O paquistanês do “bu-táaaaa-no” anunciando seu produto. A mulher da lavanderia conversando com o rádio em seu castelhano estridente.

E um novo som me chama de volta ao balcão. Um homem pronuncia ininterruptamente, em idioma indecifrável para mim, algo entre o discurso pronto e a ladainha. Fala com firmeza para as duas dezenas de veranistas que o cercam, alguns armados com suas indefectíveis câmaras compactas.

Ouve-se tudo, mas ninguém além dos turistas do grupo entende palavra. Um idioma sem parentesco conhecido. Grego? Dinamarquês? Islandês? Nenhuma pista.

Eis que retornam à lida os homens de azul, o que se nota imediatamente pelo bater do martelo na placa de aço, a 30 metros dos veranistas. Todos se voltam à oficina instalada no meio da rua. O guia do grupo interrompe sua ladainha, vira-se para os serralheiros e lhes dá uma bronca – ou assim me parece – em alto e bom som. E em seu idioma irreconhecível!

O homem de azul, que suponho tão ignorante quanto eu do teor das palavras, adivinha seu conteúdo, interrompe as marteladas, arrisca um pedido de desculpas, olha para seu companheiro e os dois trocam um risinho irônico que leio como um “Só me faltava essa!”.

Detalhe que escapou ao guia da esquina, já de volta ao texto ensaiado, no qual finalmente reconheço quatro palavras, “Santa Maria del Mar”, o nome da catedral gótica erguida pelos artesãos barceloneses alguns séculos antes na esquina oposta.

Por um ou dois minutos, o único som que se escuta é a ladainha grega-dinamarquesa-islandesa. A funcionária da loja tenta, com dificuldade, abrir caminho entre os turistas para limpar as vitrines do lado de fora, já é hora de abrir as portas. Duas turistas observam com má vontade o vai-vem da limpona no peitoril onde estavam apoiadas. A moça termina o trabalho e, novamente, atravessa o círculo estrangeiro para entrar na loja.

À minha esquerda, ouço duas marteladas fortes na porta metálica. Me viro e vejo o homem de azul olhando para o companheiro como quem toca uma trombeta. Às armas! O outro responde com um olhar cúmplice e aperta o botão. Faíscas e ruído de serra enchem o ar, ignorando a ladainha turística.

Sem garganta para enfrentar o oponente, o guia da esquina recolhe as armas e dá meia volta com a tropa estrangeira. Seguem em direção à Santa Maria del Mar.

Eu me entrego ao ruído metálico, saúdo em pensamento os guerreiros de azul e volto à cozinha para esquentar meu café, imaginando mil e uma traduções para a bronca do grego da esquina.

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Uma webcam de lá, outra de cá.

Uma filha saudosa de cá, uma família italiana de lá.

Um domingão de cenário – e o bendito skype no meio.

Precisa mais?

…….

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Ela passou voando e eu tive o impulso romântico idiota de pensar: uma mariposa! Mesmo assim – diabo morreu de velho – fechei a porta da varanda por onde a criatura havia saído. Calmamente, desliguei o computador e peguei aquela velha calça desbotada que necessita de uns remendos. Me acomodei no sofá, ao lado da outra porta, agulha em punho.

Não me pergunte como nem de onde, mas ela reapareceu. Pousou no encosto do sofá com ares de convidada. Marrom, voadora, antenada, nojenta: UMA BARATAAAAA!

Voou carretel de linha para todo lado. A agulha sumiu do jeans e reapareceu espetada no meu dedo. Mas isso eu já estava no covil buscando minhas armas. Adrenalina em último grau. Disposta a tudo. Mais feroz que Uma Thurman com a espada do samurai.

Uma barata, um reles inseto asqueroso e vil, é mais capaz de me tirar do sério que a maior das injustiças que se possa cometer contra mim. É tanto o asco, mas tan-to, que meu corpo se arma instantaneamente para a guerra e minha mente não para de maquinar estratégias assassinas até que o ser abjeto esteja completamente destruído. Instinto assassino em doses cavalares.

Detefon não serve! É preciso corpo-a-corpo! Sentir o golpe e ouvir aquele “creck” que não deixa dúvidas sobre a morte do inimigo. O máximo da sofisticação é quando o “creck” não vem acompanhado de nenhum fluido gosmento, se é que me entendem.

Pois foi assim, com requintes de uma assassina treinada em muitos e muitos verões tropicais, que aniquilei a invasora. A vassoura quebrada é o troféu. As havaianas brancas, novíssimas, completaram o serviço com maestria. E me obrigaram a chegar bem perto e olhar bem nos olhos da FDP (licença poética) no momento do ataque mortal. Tu Barata, eu Ninja!

Missão cumprida, defunto enterrado e janelas fechadas, só me resta tomar um bom banho desinfetante e dormir o sono dos justos. As havaianas eu lavo amanhã.

Bona nit.

PS: E não me venham com Kafka e Clarice Lispector a essa altura do combate, porfa!

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