Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Mediterrâneo’ Category

Fotos Anamaria Rossi

Semana passada fui visitar duas bodegas de Cava, o vinho espumoso com DOC (Denominação de Origem Controlada) da Cataluña. O Cava está para a Espanha como o Champagne para a França. Não são iguais, embora sejam ambos vinhos espumosos. Provêm de uvas distintas e passam por processos e etapas de produção bem diferentes. Para um neófito, podem parecer a mesma coisa, mas um bom conhecedor sabe a diferença – como também sabe que são diferentes o excelente espumante brasileiro e o famoso Prosecco italiano.

A generosíssima Patu já havia me levado a Sant Sadurní D’Anoia para conhecer o Instituto do Cava, que entre outras coisas trabalha duro para criar mercado para o seu produto no Brasil.  Sant Sadurní é a Capital do Cava. Fica no meio das montanhas do Alt Penedés, cercada de vinhedos por todos os lados, e cheia de cuevas, as cavas, nos subterrâneos. Ali se produz 90% de todo o Cava espanhol.

Ainda me faltava conhecer as bodegas e ver, ao vivo, como é feito este vinho que se tornou minha mais nova e perene paixão. A idéia era ter voltado a Sant Sadurní a tempo de contar essa história numa Carta de Barcelona, mas não deu. Uma pena. Porque é uma verdadeira Viagem ao Centro da Terra!

O Instituto do Cava, sabedor do meu interesse inclusive como provável futura compradora no Brasil, agendou visitas a duas bodegas já devidamente representadas e distribuídas em terras brasileiras, Freixenet e Gramona. Recepção de luxo e altamente profissional em ambas, com direito a degustação no final!

O Grupo Freixenet é o maior produtor de Cava do Mundo Mundial, a milhas e milhas de distância dos demais, e seus diversos rótulos chegam a todas as partes do mundo. É provavelmente o Cava mais conhecido no Brasil, e o mais consumido.

A visita compreende a cava antiga, onde ainda se produzem umas poucas variedades de Cava de forma artesanal, e a nova e gigantesca área de produção, totalmente automatizada, dotada de laboratório para o cultivo de leveduras patenteadas e tanques de fermentação que me fizeram lembrar dos tempos da Petrobras.

Como qualquer produto designado ao grande mercado consumidor, os Cavas Freixenet tem como marca registrada a constância. Você pode abrir uma garrafa de Cordon Negro, Cordon Rosado ou Carta Nevada em qualquer parte do mundo e sentirá o mesmo sabor. Este é o objetivo e ao mesmo tempo um importante fator de êxito da empresa. Para quem pede mais, o grupo oferece alguns rótulos de maior delicadeza e menor escala, como o Reserva Real, que infelizmente só está no mercado espanhol.

Bem diversa é a filosofia da Gramona, produtora dos chamados Cavas de alta gama. Embora o processo de produção seja moderno e bastante automatizado, alguns rótulos recebem cuidados tão especiais que chegam a ter as garrafas embaladas manualmente em celofane para chegarem intactas ao destino.

Boa parcela dos Cavas Gramona ainda são produzidos na cava antiga, quatro andares dentro da terra que sustenta o edifício administrativo no centro de Sant Sadurní. Pode-se dizer que, embora não seja exatamente uma produção em pequena escala, o processo mantido por esta bodega ainda é, em certa medida, artesanal.

Descer as escadas úmidas e penetrar nas cuevas escuras e centenárias é uma experiência indescritível! Fotografar é quase impossível. Os vinhos, ali, repousam de quatro a cinco anos na mais absoluta escuridão – tempo que a levedura leva para forjar sabores igualmente indescritíveis, e as garrafas são cobertas pela poeira fina da maturação.

Até os anos 80, a Gramona manteve uma unidade de produção no Brasil, mais precisamente em Jundiaí, e chegava às gôndolas sob o rótulo Gramond. Hoje a produção é exclusivamente catalã. Allegro, Imperial e III Lustros são três dos rótulos atualmente distribuídos no Brasil. Todos di-vi-nos!

Ai, acho que eu vou ter que montar um café só para poder colocar essas delícias no cardápio…

.

Anúncios

Read Full Post »

Quando inventei este blog a idéia era simples: escrever, escrever, escrever… e, de quebra, manter por perto os amigos queridos enquanto estou longe. Nunca imaginei que as ondas virtuais pudessem me trazer tantos novos amigos – como mapas do tesouro que estão por aí navegando em garrafas pelos oceanos.

E numa dessas garrafas, movida pelos ventos desde o Atlântico até o Mediterrâneo, aportaram aqui esta manhã Hélio e Mara, do MaraCatu Blog. Ele paraibano, ela carioca, um casal pra lá de simpático – e muito, muito aventureiro.

Fotógrafo e webdesigner, Hélio me encontrou no Blog do Noblat e nos tornamos amigos de Facebook. Roteiro mais virtual impossível. Ao visitar o blog dele, descobri um novo mundo – o mundo dos que vivem num barco e cujas estradas da vida são líquidas e sem fronteiras.

Fiquei espiando de longe, durante meses, as aventuras de Hélio e Mara pelos oceanos. Até que, dia desses, ele me mandou uma mensagem como faria um velho amigo não virtual: “Ana, você ainda está em Barcelona? Estamos chegando aí.”

Deixou um telefone, eu liguei. Marcamos um encontro no Mercado de la Boquería na hora do almoço. “Como eu vou te reconhecer, Hélio? Nunca nos vimos!” Ele: “Estou usando uma camiseta branca de Abrolhos”.

Hélio e Mara no Kiosko Universal, na Boquería, depois de limparmos os pratos

Impossível não reconhecer Hélio e Mara mesmo sem nunca tê-los visto: eles são a imagem da simpatia! Me receberam com um abraço apertado, pedimos logo um pulpo a la gallega e umas verduras a la plancha e engatamos uma conversa de velhos amigos ali no Kiosko Universal.

Me contaram que vivem há anos no barco que eles mesmos construíram, com porto seguro em Angra e todo um mundo por velejar. “É muito mais barato e divertido que morar numa casa!”, diz Mara, lembrando que os dois já se aposentaram e velejam desde a juventude.

Aportaram na costa espanhola depois de uma travessia, no mínimo, emocionante – que Hélio conta em detalhes lá no blog dele – obedecendo os ventos desde Angra até a Catalunha.

Por essas e outras eu acho que foi uma boa idéia ter saído um pouco da terra firme e empreendido essa modesta viagem pelas ondas da web. O mundo é grande demais e tem tesouros demais escondidos, então por que não dar uma chance às garrafinhas que, vira e mexe, querem chegar à nossa praia?

Read Full Post »

Fotos Anamaria Rossi

Se eu tivesse que dizer em uma palavra como ficou marcada em minha retina a breve passagem por Cadaqués, esta palavra seria LUZ. Desde a brancura das casas ao brilho do sol nas águas do fim da tarde, tudo na cidade onde Salvador Dali viveu (e dizem que ali também enlouqueceu) irradia luminosidade.

Cadaqués é um pueblo pesqueiro quase no fim da Costa Brava, hoje transformado em destino de turistas descolados, que abriga lojinhas e ateliês charmosíssimos, em total sintonia com as ruas estreitas de pedra sobre pedra.

Atração à parte em nossa passagem foi o Fusca descapotable (adoro esta palavra!) preparado para receber os noivos que saíam da igrejinha em frente, lá no alto de uma montanha de pedra.

Mas a grande atração da cidade é a Casa de Dali, transformada em museu, em Portlligat, a poucos quilômetros do centro, “assinada” com os inconfundíveis huevos do artista sobre o telhado.

Chegamos sem tempo hábil para visitar o museu, mas isso não nos impediu de curtir a bela paisagem do fim da tarde.

Mais cedo, poderíamos ter dado uma volta no barco Gala, o amarelo aí de cima, mas nos contentamos em apreciar em terra firme a arquitetura das casas da região, especializada em disfarçar as construções nos paredões de pedra.

Antes de o sol se esconder de todo, subimos a serra cruzando os olivais em direção a Figueres, esta sim a cidade de Dali, onde ele nasceu e para onde voltou com pompa e circunstância.

Escolheu nada menos que um antigo e suntuoso teatro para instalar seu museu (no qual também não entramos desta vez), e instalou no alto das torres uma impressionante coleção de ovos.

Dizem que os relevos que decoram as paredes externas do museu são simpáticos cocozinhos dalinianos. Não consegui checar a informação, mas – por si acaso – Tomás não perdeu a chance de fazer uma palhaçada.

E aqui termina a temporada de verão, com um vento fresco já anunciando que o outono vem aí e me lembrando de que está chegando a hora de voltar ao meu querido Patropi.

.

Read Full Post »

Fotos Anamaria Rossi

Desta vez não tive como escapar de Portbou. Estava bem ali, a 15 minutos de carro de Llançà, na fronteira com a França, e Tomás queria ir àquela praia que tem uma plataforma flutuante bem no meio da água.

Pedro já tinha me avisado que eu ia adorar. E adorei! A começar pelo caminho, uma descoberta a cada curva, um novo horizonte em cada mirante.

Fiquei tão passada que desandei a fotografar e filmar, e quase esqueci que eu só tinha levado a nova Cyber-shot fúcsia (!), com UM cartão e UMA bateria (a Nikon de responsa está temporariamente aposentada, até eu voltar ao Brasil e submeter sua lente a uma bela faxina).

Foto Angélica Padovani

Mas com a Cyber-shot, como sempre, a gente faz qualquer negócio – e nada mais apropriado a uma turnê “mochilinha” que uma “câmerazinha”, não é mesmo?

Depois de uma praiazinha de água gelada, fomos buscar um de-comer ali na Rambla de Cataluña. Foi lá que uma senhorinha muito simpática, ao me ver fotografando, disse:

– É muito bonito, não acha? Você precisa ver no outono. Ano passado teve um vento tão forte que todas as folhas caíram, e o chão ficou coberto por um lindo tapete esverdeado. Eu, que vivo aqui há 73 anos, nunca tinha visto nada igual!

Achamos o de-comer e o de-beber, uma sangria sanguínea, refrescante e deliciosa. Fiquei com pena do Tomás, que teve que se contentar com uma Fanta Laranja…

Na noite anterior, tínhamos visitado Portbou rapidamente, e fomos surpreendidos por gigantescos grafites com figuras femininas espalhados pela cidade. Não consegui saber a que se devem, mas achei o máximo!

Aliás, o máximo é a cidade inteira, desde a vista lá de cima até a estação de trem, sem esquecer, é claro, do azul profundo do céu em noite de poucas luzes.

Pedro tinha razão: Portbou é imperdível!  Ainda bem que deu tempo.

Read Full Post »

Chico Amaral é flagrado no crime (por Anamaria Rossi)

Chiquinho e Angélica me receberam em Llançà com uma surpresinha: uma lagosta. Viva!

Ainda bem que o cozinheiro da noite era o Chiquinho… A mim coube apenas registrar o ocorrido, o que fiz com certo asco, mas como sempre em cima do fato.

Para azar de vocês, não pude contar com a sofisticada edição de Pedro Rossi, o que me obrigou a improvisar com meus parcos recursos técnicos e tecnológicos. Como vocês verão, fui salva pelo elenco. E pela receita, claro!

Voilà!

.

.

Read Full Post »

Fotos Anamaria Rossi

Mochileiro é assim: não desiste nunca!

Teca se foi – mas Angélica, Chiquinho e Tomás estavam me esperando na Costa Brava, o magnífico trecho de litoral entre Barcelona e o sul da França. E lá fui eu. De trem, com uma mochilinha nas costas e uma mala de rodinhas, claro.

A primeira coisa que Angélica me aprontou foi me fazer subir a montanha. Tá certo, era uma montanhazinha de nada, que eu só subi mancando por causa da lombalgia pós-Vespa. E valeu a pena!

Llançà é um antigo porto de pescadores dotado de uma infinidade de calas (pequenas enseadas no pé de altas pedreiras). Nas calas ou mesmo nas praias, areia é o que não há. Estende-se a esteira sobre pedriscos cor de chumbo e usa-se uma sapatilha com solado de borracha para entrar na água sem furar os pés.

Mas o que falta em areia sobra em lindeza de recortes, com água cristalina em vários tons de azul. E se os pedriscos não são nada convidativos, a cidade e o porto recebem muito bem os forasteiros, com pracinhas e recantos para o desfrute amplo e geral.

Echar una siesta deitada no banco da praça ou instalado na jangada-escultura, como fez Tomás, é tão natural quanto sair pela praia de calçola florida ou maiô listrado.

Mas o melhor de tudo é caminhar no fim da tarde pelo porto de Llançà, vendo chegar os barcos de pesca e apreciando os casais maduros que saem para passear em pequenas embarcações familiares.

Se eu vivesse em Llançà, minha casa seria um barco.

.

Read Full Post »

Fotos Anamaria Rossi

Eu já disse que cruzei várias vezes a pequena Formentera numa Vespa? Pois é, nem eu acreditava muito nisso, e aí fiz um Vespa Movie para ver depois e ter certeza.

O problema de virar motoqueira quando a gente já passou da idade é que a ferrugem abunda. O resultado de três dias me equilibrando sobre duas rodas – às vezes com uma mão no guidão e outra na câmera – foi uma bela lombalgia. Que insiste em não ir embora!

Mas eu faria tudo de novo, juro! E agora, que estou metidinha pacas, nada de Vespa. Quero mesmo é uma bela Harley Davidson, com banquinho de encosto e lugar para o carona, que vai atrás fazendo massagem nos meus ombrinhos…

Com vocês, para fechar a série Mochilão, com imagens desequilibradas de Anamaria Rossi e edição sofisticada de Pedro Rossi, sobre música de Paco de Lucía…

,,,,,,,,,,,,,

,,,,,,,,,,,

Ana e o Farol

(depois de Lucía y el sexo)

………

………..

Read Full Post »

Older Posts »