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Archive for the ‘Sem categoria’ Category

Apontamentos…

Venha me visitar e divagar comigo no novo blog:

VAGOS LUMES

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Léo e Ivan, na Variant laranja, voltando das férias (Foto Dona Nô)

Quando ele nasceu, há exatos 39 anos, eu e Érica estávamos com sarampo e tivemos que esperar vários dias até poder chegar perto do nosso primeiro irmãozinho. Ainda bem que não foi o contrário: ninguém conseguiria conter a inquietude do rapazinho se ele é que fosse proibido de entrar no quarto de uma nova irmãzinha.

Léo é pura energia! Quase sempre uma energia explosiva, afirmativa, contagiante. Vez ou outra, um vulcão aparentemente adormecido mas prestes a transbordar. E quando transborda, é melhor manter uma distância segura.

Fotos Anamaria Rossi

Mas na família formada por Seu Atílio e Dona Nô, ninguém é de manter distâncias seguras. Quanto maior a confusão, mais a gente chega perto. Talvez por isso sejamos tão cúmplices uns dos outros, os quatro irmãos, mesmo tão distintos.

Léo foi o primeiro a revelar suas diferenças, ainda na adolescência. Enquanto os outros três se encaminhavam para a universidade, ele pegou no batente com Seu Atílio lá na firma. Enquanto as duas irmãs mais velhas brincavam de hippies tardias, Léo vivia seu momento playboy, que felizmente não durou muito. Foi o último a sair de casa, e o único a permanecer em nossa Ribeirão natal.

Mas quem só enxerga aparências não tem a mínima idéia de quem é o Léo. Enraizado, sim, mas capaz de empreender grandes revoluções, gestadas na intimidade, no silêncio e na solidão do vulcão adormecido. Lentamente, consistentemente, e sem que ninguém perceba – talvez nem ele. Pelo menos até o momento da explosão.

Sob uma aparente rigidez, ele esconde furacões que, de repente, varrem tudo o que ele pensava ser, para que ele descubra e revele, mais uma vez, tudo o que ele é.

No colo do Seu Atílio, enquanto Vô Olavo pesca (Álbum de Família)

A imagem mais arraigada que tenho dele é de um Léo ainda moleque, três ou quatro anos. Estávamos no clube, à beira do rio Pardo, sentados nas bordas de uma prancha de madeira fincada no barranco. Na ponta, Vô Olavo pescava, chapéu de palha, a netaiada em volta.

Léo estava sentadinho ao meu lado, os dois com os pezinhos balançando rentes à água que corria sob a prancha. De repente, vi seu rostinho desaparecendo na água como uma fotografia que se desmancha, e ouvi o grito de minha mãe atrás de mim: “Meu filho! Meu filho caiu no rio!!!”

Dando banho na Júlia, com Rafa na espreita (Foto Ana Rossi)

De outra prancha, a poucos metros da nossa, um homem saltou imediatamente e veio subindo na contramão da corrente, tateando as águas barrentas. Foram poucos segundos, e uma eternidade, até ele emergir com um menininho loiro, assustado e quieto nos braços.

Alguns minutos depois, minha mãe, com o filho no colo e já acalmada por dois copos de água com açúcar, perguntou ao salvador como ele tinha conseguido aquele milagre. Ele disse que apenas tinha percorrido as águas turvas num mergulho até chegar à nossa prancha e lá estava o Léo, debaixo do madeirame, agarrado com toda força às estacas, com a cabecinha fora d’água e os olhões arregalados como dois faróis.

Brincando comigo no tanque de areia de casa (Álbum de Família)

Suas grandes batalhas, Léo enfrenta assim, quietinho, lá no fundo, com o nariz fora d’água e os olhos bem abertos. E depois emerge, lindo, loiro e já esquecido da escuridão. Pronto para começar de novo a aventura da vida – ainda que seja preciso segurar bem firme as estacas.

A última do Léo ainda hoje me surpreende. Durante uns bons anos, recentemente, tivemos brigas homéricas, regadas a boas doses de cerveja, nos encontros de família. Com a sinceridade cortante que é marca registrada dos Rossi. Meses de silêncios, tristezas e feridas abertas entre uma e outra. Cheguei a acreditar que havíamos nos desencontrado de verdade na vida.

Com sua amada Rose, no aniversário de Felipe, em Brasília (Foto Anamaria Rossi)

Até que, um dia, recebo um telefonema do Léo. Sem mais nem menos, apenas porque – se não me falha a memória – ele tinha acabado de conversar por telefone com Felipe, seu afilhado, a essa altura já morando na Espanha.

Sabe-se lá que revolução estava sendo gestada ali no vulcão interno do Léo, mas algum detalhe na conversa com Felipe desatou a emoção no coração do meu irmão. Então, sem titubear, ele pegou o telefone, ligou para mim em Brasília e fez a mais linda declaração de amor que já recebi em toda a minha vida.

Nem preciso dizer que fiquei muda. Estupefata. E tão profundamente feliz com a carinhosa explosão que nunca sequer consegui retribuir à altura. Com a lava fervente de seu coração, Léo construiu uma nova ponte entre nós, e só me restou vencer o medo e caminhar sobre ela.

Foto Anamaria Rossi

Léo é assim. Fera regida pelo Sol. O triunfo da natureza sobre a construção. Tanto mais forte quanto mais coração.

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Quem mandou o link foi Paulinho Rossi, meu querido e amado primo, lá das areias brancas de Jampa.

Gracias, guapo!

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Vocês vão dizer que eu sou monotemática, ou monopoética: só publico Drummond aqui. Mas vou explicar.

É que, além de ele ser o poeta que fala pela minha alma, me dei conta um dia desses de que, na bagagem que veio comigo a título de emergencial, inseparável e insubstituível, seu livro de poemas  Corpo, de 1984, é um dos tesouros. Saiu da mala diretamente para a cabeceira.

Sim, é o livro de onde tirei a frase que está bem ali, no canto superior direito do blog, debaixo da carinha da menina. A outra frase, a que está lá no final da barra lateral, é do rabino Nilton Bonder e foi extraída do seu magnífico livro A Alma Imoral.

Se você é um leitor esperto, já entendeu onde quero chegar. Eu, como não sou, demorei meses para me dar conta da coincidência.

A ficha caiu quando eu limpava o pó da mesinha de cabeceira, umas semanas atrás. Fiquei rindo sozinha enquanto olhava para os dois únicos livros que vieram comigo na bagagem de mão (todos os outros poderiam esperar pelos Correios…).

Estavam lá, bem debaixo do meu nariz: o Corpo e a Alma. Óbvio assim, como suas capas branca e preta contrastando com o vermelho do edredom.

Às vezes me assusto com tanta transparência…

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Ilustração de Carlos Leão para o livro de Drummond

Homem deitado

Não se levanta nem precisa levantar-se.

Está bem assim. O mundo que enlouqueça,

o mundo que estertore em seu redor.

Continua deitado

sob a racha da pedra da memória.

(CDA, em Corpo)

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É com prazer que apresento a nova casa do yo que sé?, tão cigano e mutante quanto a dona.

Puxem uma cadeira e vão se ajeitando por aí, mas tenham paciência porque ainda vou demorar uns dias para colocar a tralha em ordem.

Quem quiser ajudar fique à vontade. Idéias, observações e críticas podem vir por comentário ou email, o importante é que venham.

O velho yo que sé? continua lá, no mesmo lugarzinho, mas a partir de agora os novos posts só entrarão aqui.

Espero que se divirtam! A casa é de vocês, como sempre.
Benvingut!

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