
Venha me visitar e divagar comigo no novo blog:
VAGOS LUMES
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Casa
Lulu Santos
Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Era só fechar os olhos
E deixar o corpo ir
No ritmo
Depois era um vício
Uma intoxicação
Me corroendo as veias
Me arrasando pelo chão
Mas sempre tinha
A cama pronta
E rango no fogão…
Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…
Às vezes é tormenta,
Fosse uma navegação.
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Tanto gozo e sussurro
Já impressos no colchão…
Pois sempre tem
A cama pronta
E rango no fogão, fogão!…
Luz acesa
Me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
E vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…
Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Logo mais era um vício
Me arrasando pelo chão…
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão…
Pois sempre tem
A cama pronta
E rango no fogão
Fogão! Fogão!…
Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando prá casa
Me vê!
Que eu tô voltando prá casa…
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PS: O blog não termina aqui. Voltarei vez ou outra para contar um pouco das muitas histórias que ainda não contei de minha temporada em Barcelona.
Obrigada, de coração, a todos os que me acompanharam nesta incrível viagem.
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Publicado em A vida como ela é, Despedidas, Diversão & Arte, Eu, tu, eles, Música, Vídeo | 18 Comentários »
Se o amor tivesse razão, eu diria que uma das razões pelas quais amo Brasília é sua infinita capacidade de me surpreender. Brasília não é moderna, ela vem antes. Antes que a gente possa entender, e ainda que a gente não entenda, as coisas acontecem. E a gente que corra atrás.
Em Brasília – uns se lamentam e outros se vangloriam disto – ninguém escapa a uma perturbadora intimidade com o poder. Seja trabalhando numa instituição pública, prestando serviços a uma autoridade, cruzando com um deputado em caminhada no Parque da Cidade, desviando de carros oficiais no trânsito ou simplesmente tendo a Esplanada dos Ministérios como um grande jardim coletivo. Para o bem e para o mal, em maior ou menor medida, o poder e seus símbolos acabam fazendo parte da vida de um brasiliense.
Talvez por isso, em Brasília, uma simples conversa de butiquim sobre política nunca é uma simples conversa de butiquim. É, quase sempre, um debate acalorado, repleto de informações de bastidores, detalhes picantes e especulações carregadas de sentimentos humanamente apaixonados.
Lembro de meus tios perguntando, quando eu ia de férias a Ribeirão: “E aí, como vai o Presidente?” No início eu ficava meio irritada com a pergunta, não queria ser confundida com o Presidente ou quem quer que representasse, para os de fora, o poder instalado em Brasília. Hoje entendo: não há como ser diferente.
Mesmo assim, continuo advogando em defesa da Brasília dos sem-poder, aquela do nosso dia-a-dia, na qual trabalhamos, amamos, educamos, passeamos, nascemos e morremos como qualquer outro cidadão do País, sem uma gotinha de poder para além de nossos títulos eleitorais.
Mas mesmo nós, os sem-poder, aprendemos um pouco sobre o poder. A convivência nos revela seus truques, a intimidade nos ensina a antecipar tendências, a sentir no ar o fedor do que está podre e o frescor do que vai nascer logo adiante. Mesmo que raras vezes a gente identifique e dê voz a essa percepção.
Eu confesso que estava com medo desta eleição em Brasília. Medo de voltar e encontrar uma cidade ainda arrasada pela desmoralização que o arrudagate, o erenicegate e todos os escândalos de fato e de laboratório impõem a todos nós, os sem-poder de Brasília.
Mas meu medo transformou-se em agradável surpresa ontem, enquanto acompanhava a apuração dos votos pela internet aqui de Barcelona. Mais pelo cenário nacional que pelo local, confesso – embora a vantagem de Agnelo sobre o clã Roriz e a eleição de dois senadores de esquerda pelo DF tenham me llenado de esperança.
O que me surpreendeu de verdade foi ver Marina Silva vencendo as eleições no Distrito Federal, único pontinho verde num mapa vermelho-e-azul.
Alguns dirão que foi um voto de protesto puro e simples, mas para mim foi mais do que isso. Um protesto, sim, claro e contundente, mas longe de ser uma manifestação vazia e sem sentido. Os 41% de votos que Brasília deu a Marina me soam como um gesto de rebeldia tão autêntico e visionário quanto pode ser o despertar de um adolescente.
Ou, no caso dos que envelhecem mas não deixam morrer o adolescente que levam dentro, o voto de quem conviveu oito anos, em incômoda intimidade, com um governo demotucano, e mais oito com um governo petista, e – tal qual a amante depois de longo tempo – conhece de cor as artimanhas do parceiro.
Adolescente ou velha amante, Brasília mais uma vez chegou antes. Menos pelo sim ao desconhecido, simbolizado por Marina, que pelo não aos nomes, modelos e práticas dos quais já se sente um tanto intoxicada, e compreensivelmente farta.
Brasília apostou no novo, ainda que não saiba muito bem qual é a novidade. Esta é a vocação e pode ser a salvação da cidade.
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Antes que eu me esqueça: Marina Silva não é minha candidata, embora eu a admire como pessoa, como mulher e como política. Sou eleitora e defensora da candidatura Dilma Rousseff, porque acredito que nunca antes na história deste País estivemos tão no rumo certo como agora. Mas isso não me impede de sentir o sopro de outros ventos.
Publicado em A vida como ela é, Brasília, Brasil Brasileiro, Eu, tu, eles | 7 Comentários »
Foi assim que chegou na minha caixa postal:
“Quero agradecer as rezas, as novenas, as correntes de oração, os despachos, os dedos cruzados, as energias positivas, as torcidas atéias e agnósticas. Quero agradecer a todos vocês, que me honram com seu tempo, sua atenção, seu carinho. Sem vocês, meus queridos macroleitores, o que seria deste microescritor? Então, faço questão de dizer bem alto: “O JABUTI É NOSSO!!!
Valeu, gente!
José Rezende Jr.”
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Como assim, ganhar o Jabuti concorrendo com Milton Hatoum (A Cidade Ilhada), Moacyr Scliar (Histórias que os jornais não contam), Roberto Damatta (Crônicas da Vida e da Morte)?
Só o Rezende mesmo! Com Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor), esse mineirinho simpático e surpreendente arrebatou o maior prêmio da literatura brasileira na categoria Contos e Crônicas.
Que ele é um grande jornalista, eu já sabia há muito tempo. Mas que é um grande escritor, descobri faz alguns meses, quando esbarrei por acaso no site do Rezende, baixei um de seus livros e não consegui mais parar de ler!
O resultado completo da 52a. edição do Prêmio Jabuti está aqui. O nome do Rezende está nesta lista aqui.
E eu estou feliz demais da conta!
Parabéns, Rezende! Que o Jabuti leve suas histórias até os confins desse mundão!
Publicado em A vida como ela é, Amigos, Brasil Brasileiro, Diversão & Arte, Eu, tu, eles, Jornalismo, Literatura | 2 Comentários »