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Foto Anamaria Rossi (num terreiro de fazenda em Uberlândia, MG, 2008)

Uma das coisas boas do jornalismo, para quem está do lado de cá da caneta e do bloquinho, é conhecer gente interessante. Principalmente quando você está na Editoria de Cultura e te mandam entrevistar uns caboclos como Pena Branca e Xavantinho.

Isso me aconteceu já nem sei há quantos anos. Eu era foca, foquíssima. Trabalhava no Caderno Dois do Correio Braziliense. A dupla de cantores mineiros faria um show em Brasília e fui escalada para entrevistá-los.

Moleza. Eu adorava música caipira “de raiz”, tinha vários discos deles e estava de olho nos convites para o show. O único problema é que a entrevista teria que ser feita por telefone, porque eu estava na redação e eles em Minas Gerais.

Ok, vamos lá. Peguei o gravador de fita K-7 e fiz a gambiarra de praxe à linha telefônica. Era um gravador jurássico, daqueles enormes e pesados, e às vezes era preciso segurar bem apertados, e ao mesmo tempo, os botões PLAY e REC para ele gravar alguma coisa. Felizmente não foi neste dia, assim pude curtir um pouco a entrevista.

Liguei e quem atendeu foi o Xavantinho. Começamos a conversa e dali a pouco ele perguntou se podia ligar o viva-voz do telefone, “o Pena Branca tá aqui do meu lado”. Uau! Viva-voz era o máximo da sofisticação! E falar com os dois ao mesmo tempo, à distância, era o supra-sumo do esforço jornalístico para uma foca.

Paulista do interior, eu me sentia em casa com aquele sotaque de mineiro do Triângulo (Ribeirão escapou por pouco de ser das Gerais…), e de tão acostumada com o som da viola quase nem me dei conta quando eles começaram a tocar do lado de lá da linha.

Até que o agudo de um e o grave de outro entraram juntos pelo fio do telefone: “Debulhar o trigo, recolher cada bago do trigo, forjar do trigo o milagre do pão e se fartar de pão…”

Quase desmaiei no meio da redação! Sim, eram eles, Pena Branca e Xavantinho, minha dupla caipira preferida de todos os tempos, tirando uma palhinha no viva-voz diretamente para mim! Como uma roda de viola hi-tech exclusiva!

Nunca mais perdi uma apresentação deles em Brasília, até o dia em que Xavantinho partiu para cantar em outros quintais, deixando seu irmão com um agudo ainda mais agudo.

Hoje faz um dia que Pena Branca seguiu os passos dele. Sabe-se lá por que bandas os dois vão tocar agora sua “boiada” de canções, mas uma coisa é certa: aqui das bandas do meu iPod eles não saem de jeito nenhum.

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Ariovaldo Giaretta

O bônus fica por conta da Solange, que leu a notícia no UOL hoje de manhã e me contou outra: um colega seu da Universidade Federal de Uberlândia, biólogo e professor como ela, deu o nome da dupla a uma nova espécie de rã que ele descobriu na cidade onde eles nasceram.  A Ischnocnema penaxavantinho está lá na Folha Online.


Decididas a encontrar o carona perdido, nossas intrépidas aventureiras aproveitaram a tarde ensolarada de domingo para vasculhar os Jardins do Real Alcazar, em Sevilha.

O moço não estava lá, mas seria injusto dizer que elas perderam a viagem…

Foto: Solange, mais conhecida como Thelma

Não é um Thunderbird 66 azul celeste mas é um Mini Cooper dourado!!!

Tudo bem, não tinha vermelho, paciência. Nem descapotable, fazer o quê? A vida é dura.

Em compensação, custou o mesmo que um Renault Clio, que estava em falta. Achei péssimo!

Bom, na falta do Brad Pitt, que infelizmente ainda não foi localizado no deserto andaluz, quem fez a foto foi a Thelma. A Louise estava muito ocupada posando.

Inté. Fiquem com as originais:

Foto Anamaria Rossi

Acertou quem disse Alhambra, Granada, Andaluzia, Espanha, Europa, Mundo Mundial!

Saiba tudo e um pouco mais na Carta de Barcelona de hoje, uma viagem a Andaluzia, a terra dos prazeres, aqui ou lá no Blog do Noblat.

Amanhã tem mais. Ou não. Yo que sé?

Umas pistas, de leve…

Fotos Anamaria Rossi

Agora ficou fácil, hem?

Foto Solange Augusto

Fotos Anamaria Rossi

E mais não digo.

Até amanhã.

Vô Olavo, Vó Vilma, mamãe e papai

Nasci de uma conjunção de amores. Foi num carnaval, 43 anos atrás, que a semente foi plantada. Com um amor sem igual, que se reinventa a cada dia.

Acho que é por isso que eles estão cada vez mais jovens, mais apaixonados e com a mesma chama nos olhos. Chama que a semente legou a cada um de nós, os quatro filhos de seu amor, e aos sete netos que chegaram até agora.

Felipe, o mais velho, disse ao Seu Atílio por telefone, no último Natal: “Vô, parabéns. Você e minha avó conseguiram formar uma família maravilhosa!” E é a mais pura verdade.

Longe de ser a “família perfeita”, aquela que ilustra folhinhas de padaria e anúncio de margarina. Nada disso. Lá em casa – a casa do Seu Atílio e da Dona Nô – não tem sorriso margarina. Tem, sim, gargalhadas muito altas, tão altas quanto a zoeira da criançada inquieta, o volume do som no churrasco ou na lasanha de domingo, os gritos de “truco” nas rodas de baralho que se formam no fim da festa e – porque somos normais – as discussões para lavar a roupa suja.

Sim, a roupa suja é lavada lá em casa. Sempre foi. Guardar a sujeira debaixo do tapete é algo que não aprendemos. Às vezes dói – choramos, magoamos e nos magoamos. Mas sempre – sempre! – saímos mais maduros e mais unidos dos momentos de sangue quente.

Italianíssimos! Dramáticos! Intensos! Fartos em pontos de exclamação! Assim somos nós, os filhos e netos de Seu Atílio e Dona Nô. Porque assim são eles: verdadeiros. Para o bem e para o mal, olhos nos olhos, sempre.

Um caminho difícil, o dos nossos pais.

Quatro filhos em seis anos. Dona Nô engravidando, parindo, dando aulas de manhã e fazendo faculdade à noite. Seu Atílio madrugando para pegar estrada no interior de São Paulo, vender as placas de forro da Gesso Rossi, fabricadas num galpão perto da antiga estação de trem da Alta Mogiana, a poucos metros da nossa casinha de dois quartos e quintal com goiabeira e tanque de areia.

Lembro das placas de gesso secando ao ar livre, quando chovia era uma meleca; dos cacos branquinhos que meu pai levava e transformávamos em pincel de desenhar no asfalto. Aprendemos a escrever na lousa verde e no asfalto, com o giz da mãe professora e o gesso da fábrica do pai, nos intervalos entre jogar queimada com a molecada da rua e correr atrás do caminhão de cana para puxar um caule de puro açúcar.

Vida difícil mas celebrada todos os dias.

Nunca houve um aniversário sem festa! Tudo era feito em casa: bolo decorado; brigadeiro, beijinho e olho-de-sogra; cachorro-quente, torta salgada e sanduíche colorido; os arranjos de flores colhidas no campo e as lembrancinhas, claro, confeccionadas com copinhos de danone ou yakult.

Nunca houve um fim de semana de sol sem o Clube de Regatas; o pai no canindé, os tios na pista de bocha, o avô pescando no Rio Pardo, a mulherada ajeitando o piquenique na sombra com a comida feita em casa e a gente se esbaldando na areia, na água, no parque.

Nunca houve férias sem estrada. Saíamos de madrugada, os quatro dormindo no banco rebaixado da Variant laranja, e antes do almoço já estávamos descendo a serra rumo a Praia Grande, Caraguá, Ubatuba… onde o dinheiro desse ou algum amigo emprestasse a casa.

Liberdade foi o que nos ensinaram Seu Atílio e Dona Nô. Liberdade de ser, pensar, sonhar, lutar. Cada um com sua verdade, cada um em seu caminho, tão diferentes e tão irmãos, os filhos dos nossos pais.

Uma história linda, que começou há 43 anos – e parece que foi ontem. Porque o tempo não passa quando se tem a alma jovem, o coração aberto e a mente inquieta do Seu Atílio e da Dona Nô. Para minha felicidade, meus pais!

(Fotos Álbum de Família)

Para não dizerem que estou vendo coisas, El País está repleto de relatos sobre o racismo e a xenofobia que começam a ganhar força na Espanha. A quem interessar possa:

Negros não entram

Ataques xenófobos

Imigração a fundo

Foto Anamaria Rossi

Começou mais cedo do que eu esperava. A crise faz as primeiras vítimas na Espanha: os imigrantes. E não só os ilegais.

Em Barcelona, a Prefeitura passará a usar exclusivamente o catalão para falar com o cidadão – ignorando que boa parte dos 273 mil estrangeiros residentes aqui não falam a língua.

O “bloqueio linguístico” aos imigrantes, no caso catalão, é apenas a versão local de um fenômeno que se espalha pela Espanha. Depois de incentivarem a vinda de imigrantes por mais de uma década, para fazer o trabalho pesado e “sujo”, os espanhóis agora querem devolvê-los aos seus países, porque estão de olho em seus empregos, formais ou não.

Este é o tema da Carta de Barcelona de hoje, “Uma questão de liquidez”, que você pode ler aqui ou lá no Blog do Noblat.

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